Porque me tornei feminista.

Situações cotidianas te levam a refletir o peso e a importância de ter nascido mulher. Realmente, não é fácil. Há quem diga que a luta feminista atual é “mimimi”, “vitimismo”, “feminazi” (respira fundo). Esses termos vindo dos homens (em sua maioria) e de mulheres que mal sabem a importância do feminismo em suas vidas. Moças, vocês não têm meu ódio, mas sim minha compaixão.

Percebi que AINDA vivemos em um mundo machista assim que comecei a ler os textos da escritora Clara Averbuck e o relato da escritora Mayra Dias Gomes. Num passe de mágica o feminismo me pegou de jeito. Blogs, páginas do Facebook, tudo isso ajudou pra que eu entendesse a causa.

Tive que desconstruir muita coisa que aprendi como sendo o “certo”, me policiar para vários termos/expressões machistas que eu mesma utilizava e achava graça, enfim. Até hoje, dia após dia, é um aprendizado. É algo que eu evito debater pessoalmente, pois qualquer questionamento te tornará “A CHATA”. Mas confesso que me dá um refluxo cada vez que ouço algum conhecido/parente/amigo soltando um discurso machista. Cara, é impossível ver certas coisas e ignorar como se fosse normal.

Vou listar alguns exemplos que fizeram com que eu abraçasse a luta feminista:

-Saber que uma mulher SEMPRE será julgada pela roupa que usava e pelo seu comportamento quando foi estuprada/assediada;

-Saber que sua família sempre espera que você case com um cara que tenha grana pra “te sustentar”;

-Saber que o fato de você não ser familiarizada com a cozinha e afazeres domésticos terá mais importância para os imbecis do que o fato de você saber falar três línguas, ser pós-graduada e não pedir mais 1 real pra sua mãe;

-Saber que você corre o risco de andar sozinha a noite e não ser APENAS assaltada;

-Saber que a rivalidade feminina é intensa, até dentro da sua própria família, e o quanto isso é triste;

-Saber que farão qualquer piadinha sobre o ato de dirigir, simplesmente por você SER MULHER;

-Saber que você será alvo de comentários só porque saiu SOZINHA COM AS AMIGAS sem o namorado;

-Saber que engordar uns quilos a mais vira motivo de piada e insultos, a ponto de te deixar em depressão;

-Saber que as pessoas te olharão torto quando resolver beber cerveja (sim, apenas pelo fato de você ser MULHER);

-Saber que uma mulher depois dos 40 e solteira sempre será vista como uma coitada desiludida, enquanto o homem sempre será visto como um partidão/coisa rara;

-Saber que alguns (veja bem, eu disse ALGUNS) homens morrem de ódio ao ver mulheres tomando espaços que antes eram exclusivos a eles;

-Saber que a seleção feminina de futebol tem patrocinadores como “Bombril” e “Bauduco”, enquanto a seleção masculina conta com “Itaú”, “cervejas”, e tudo que remete ao “universo masculino ditado pela mídia”;

-Saber que comerciais de cerveja são destinados a homens, enquanto os de produtos de limpeza são voltados às mulheres;

-Saber que algumas mulheres precisam de aprovação masculina pra fazer tais coisas ou se sentirem bem;

-Saber que algumas mulheres sofrem violência doméstica caladas e ainda que terminem, acabam voltando para o companheiro por medo ou sei lá o que;

… etc, etc.

Se eu listar tudo aqui passarei dias e dias. E como já li no blog da Lola, pode ser que eu passe a minha vida inteira sem que o mundo deixe de ser machista. Mas agora eu sei que posso sim me impor e não tenho obrigação de aguentar calada.

Machistinhas, vocês são uns bostinhas.

E moças, uni-vos.

Facebook limpo = paz de espírito.

Faz quase 1 ano que não escrevo aqui, mas não é por falta de vontade. Gosto de “vomitar textos” sobre o que eu penso, mas pra isso preciso muito de tempo, disposição e inspiração. Infelizmente peco nisto ultimamente.

Vamos aos fatos:

  • De 2013 pra cá passei por uma revolução pessoal. Às vezes me policio para não parecer ser uma chata, mas tudo tem me irritado. TUDO MESMO;
  • O período das eleições me mostrou como as pessoas usam a internet para incitar o ódio e defecar (não fazia ideia de quantos neonazistas eu tinha em minhas redes sociais, mas isso já foi resolvido).

Graças a algumas dicas do site Vida Minimalista, pude fazer uma limpa no meu Facebook sem precisar deletar ninguém, sem deixar ninguém magoadinho e ainda preservei minha saúde mental. Porque olha, é difícil, muito difícil. Não dá pra excluir do Facebook aquela sua tia que só posta coisas do TV Revolta. Mas existe a “magia do unfollow”.

Hoje, sempre que entro no meu feed, só dou de cara com páginas bacanas (parei de curtir várias, excesso de informação pode fazer mal também), organizei meus amigos em grupos, e olho estes só quando julgar necessário.

Eu recomendo. Minha vida mudou depois disso. Sério.

Pequenas violências, grandes desamores

Era segunda-feira, meio dia. Estava eu, indo almoçar em um restaurante por quilo, como qualquer outro dia normal. Percebo uma garota na minha frente, meio aflita, ao celular. Aparentemente estava tendo uma DR com seu namorado, peguete, ficante ou sei lá o que. Mas era mais umas dessas briguinhas idiotas, sem motivo algum. Coisa de “machão” que quer demonstrar que manda em alguma coisa, sabe?

Estava ela, tentando justificar que não fez nada do que ele estava pensando. Eu como obversadora, percebi que eles estavam discutindo por causa de Facebook. Desde os tempos de Orkut eu acho uma coisa ABSURDA discutir por acontecimentos em redes sociais. Eu só ouvia a garota dizendo com a voz mais suave e doce do mundo “mas eu não adicionei ele! Você viu os amigos em comum que tenho com ele? Eu não fiz nada! Pra que você tá falando desse jeito comigo? Não precisa falar assim, tô falando normal com você”. Nossa, aquilo foi uma tortura para os meus ouvidos. Eu juro que se ela fosse pelo menos uma conhecida, eu diria: MINHA FILHA, TERMINA COM ESSE BABACA! DESLIGA ESSE TELEFONE! VÁ ALMOÇAR EM PAZ, PLEASE.

E a coitada ficou lá, dando justificativas de algo que ela não fez, e mesmo se tivesse feito, não era necessário tanto auê. Uma hora a ligação caiu (ou alguém desligou, sei lá). Daí ela ligou novamente pra ele e foi logo se justificando: “Mas não fui eu que desliguei!!”. Gente, na boa. Que embrulho no estômago, que cara irritante, eu estava nervosa por ela, imagine se eu estivesse no lugar dela. Ela quase não pegou comida, almoçou pouco. O horário de almoço precioso que ela tinha para descansar no meio de um dia exausto de trabalho, estava lá, passando nervoso com um otário por causa de Facebook.

No dia seguinte, voltei a almoçar no mesmo local. E lá estava ela, novamente. Aflita pelo celular, novamente. Conversando com aquele mala, novamente. Dando justificativas de algo que não precisava, NOVAMENTE.

Dessa vez estava com mais duas amigas. Acabei sentando perto delas, por coincidência. Uma hora ela finalmente desligou o celular e disse: “Ah meu, eu vou terminar! Que cara chato! Brigando comigo por causa de Facebook!”. Pensei comigo: “É isso aí garota! Assim que se fala!”. Ao ser questionada por uma das amigas se alguém mandou algo pra ela no Facebook, ela respondeu: “Ah, é que eu adicionei umas pessoas que eu não conhecia, e uma dessas pessoas curtiu uma foto minha, e ele tá desde ontem discutindo comigo por causa disso”.

OI??? Por causa de uma curtida em uma foto??? O pior de tudo é que, enquanto ela estava almoçando com as amigas, o mala ligou umas TRÊS vezes, mesmo ela dizendo que queria almoçar. Ah não gente, pra mim já deu. Quando eu pensava que a menina estava em seu perfeito juízo, ela me solta: “Eu falei pra ele que esse negócio de Facebook não dá certo, eu falei pra nós desativarmos, mas ele não quis porque disse que tinha os amigos dele lá, é porque aí tem né”. NÃO, NÃO, NÃÃÃÃÃÃÃO!

Gente, quem disse que redes sociais acabam com relacionamento? O que acaba com um relacionamento é o CIÚMES, insegurança, desconfiança. Não põe a culpa no coitado do Facebook. Mark Zuckerberg não criou o Facebook pensando “vou destruir relacionamentos muahahaha”. O Facebook não tem culpa se você ou o seu companheiro(a) é neurótico, doido e perturbado.

Em uma das trocentas ligações que ele fez a ela, a ouvi dizendo: “Você está me ameaçando, é isso? Beleza então!”. HAHAHAHA, é pra rir. Todo esse alarde por causa de uma CURTIDA em uma foto? OMG.

Minhas queridas, e meus queridos. Se a pessoa com quem você está se relacionando começa a te questionar, brigar por motivos imbecis, te proibir de ir em tal lugar, brigar por causa de suas amizades, pela sua roupa, pelos lugares que você esteve, pedindo senha de tudo o que é seu, CAIA FORA. Isso não é amor, é violência! Relacionamento não é prisão. É companheirismo, cumplicidade e, acima de tudo, CONFIANÇA.

Bom, essa é minha vida para vocês, queridxs, se tocarem pra saber onde estão se metendo. A culpa não é sua, não é do seu Facebook. É essa violência, esse sentimento de posse, de achar que é dono de alguém. ISSO NÃO É RELACIONAMENTO.

E ponto final.

O Natal não verá meu 13º

Desde que passei a ler mais sobre minimalismo/viver com menos, tenho parado para refletir muito sobre o consumismo e sobre como compramos/juntamos/perdemos tempo com coisas totalmente desnecessárias.

A fotógrafa Claudia Regina, através de sua página no Facebook, foi quem me apresentou este incrível mundo da vida minimalista. Sua frase “viver com pouco dinheiro fez com que eu tivesse uma vida rica” ficou guardada em minha memória para sempre.

A vida nos cobra a cada dia e nos achamos na obrigação de compensar todo o nosso esforço, toda a nossa luta, com bens materiais (muitos deles) desnecessários.

É sério, este ano tive uma reviravolta e passei de garota fútil a simples.

Antes meu sonho era morar em uma casa enorme, no mínimo 03 quartos, em um bairro excelente. Claro, porque eu pretendia ter dois filhos, e cada um deveria ter o seu próprio quarto, afinal de contas sei o quanto é chato não ter o seu próprio espaço.

Maaaaas… Peraí? Eu pretendo me casar e logo em seguida ter filhos? DOIS de uma vez? Claro que não. Os filhos nem nasceram ainda, por que já estou pensando em ter uma casa com 03 dormitórios? PRA QUE eu preciso de uma casa enorme?

Antes eu pensava que ter um carro era uma necessidade, que era impossível viver sem carro, etc. Mas NÃÃÃÃOOO minha gente! Pelo contrário, depois que minha digníssima mãe fez o FAVOR de vender o nosso carro, me senti mais leve, mais livre. Deixei de ser carro-dependente e minha vida ficou ainda melhor! Até andei fazendo umas aulinhas de bike (sim, eu sei dirigir carro, mas não sei andar de bicicleta rsrsrs). Hoje não vejo vantagem NENHUMA em ter um carro. Agora vou explicar o porquê:

1. Moro em São Paulo e o trânsito me dá MUITO nervoso;

2. O gasto com gasolina;

3. O gasto com seguro;

4. O gasto com manutenção;

5. O gasto com IPVA;

6. O gasto com estacionamento (pra quem tem a mesma sorte que eu de morar em um prédio onde não tem garagem);

7. Andar de ônibus tem sido a melhor opção, pois hoje em dia há faixas exclusivas. Sim, vou em uma sardinha enlatada, mas chego mais rápido;

8. O meio-ambiente agradece. =)

Lendo todas as informações acima, conclui-se que, se eu utilizar um táxi para todas as vezes que eu NECESSITAR, ou seja, nas urgências/últimos casos, eu gastarei bem menos que se eu tivesse um carro. Além do mais, você não precisa de um carro, você precisa ir e vir pra algum lugar, e o transporte público já faz isso por você. “Ah, mas eu prefiro o conforto do meu carro do que andar num aperto”. Ahhhh o egoísmo… O ser humano ainda tem muito o que evoluir. Pense comigo: quanto menos carros nas ruas, mais o trânsito flui, mais os ônibus andam rápido, chegam rápido e poderão atender à todos. Mas quando pensaremos nisso? rs.

Enfim, o que o título do post tem a ver? TUDO. Natal = consumo, óbvio. E eu já deixei claro pra mim mesma que essa data capitalista NÃO verá o meu 13º. Qual a necessidade de consumir no Natal gente? Só por causa da data? Pra presentear a parentada? Porque tudo estará mais “barato”? Pra torrar o dinheirinho a mais do 13º??? Tudo isso não passa de FUTILIDADE DESNECESSÁRIA. Há tanta coisa pra se fazer, tantos momentos bons pra se passar junto de quem você gosta e não é necessário uma data ou um presente para suprir tudo isso. Isso vale para o dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais… Se você ama a sua mãe, ama sua namorada/namorado, ama o seu pai, não é necessário uma data ou um presente pra demonstrar isso. Pessoas, ACORDEM! Não viva do consumo ou de datas, viva de MOMENTOS!

Aproveitando, em 2014 pretendo fazer igual à Talita: ficar 01 ano sem comprar roupas, sapatos, bolsas e acessórios. “Ohhh, como você é louca, eu JAMAIS conseguiria!!”. Amigx, toda mulher, acredito eu, tem o suficiente, até mais que o suficiente, em seu guarda-roupa para passar 1 ano sem a necessidade de consumir absolutamente nada. Falo isso por mim. Em 2013 só parei para comprar roupas apenas 2 ou 3 vezes. Dá pra contar nos dedos. Para alguns pode parecer muito, mas pra mim é um grande progresso, visto que eu não poderia passar 1 mês sem comprar alguma coisa. E claro, não comprei em loja cara, porque né.

Juntei umas 03 sacolas de roupa pra doar, e ainda existem coisas em meu armário que eu NUNCA usei. Sério.

E viva a simplicidade! =)

Tá tudo uma zona!

O mundo tá todo errado

O mundo tá de cabeça pra baixo

Não tem conserto. Esse mundo não tem cura

Quem pode curá-lo? É óbvio que sabemos

E como sabemos…

Mas enquanto não se encontra a cura pra esse mundo, vou vivendo no meu próprio mundo.

O mundo não mudou nada.

Ontem terminei de ler “O Diário de Anne Frank”. Quem diria eu, Rose, li 4 livros em 2 meses. O que aconteceu comigo? HAHA, enfim…

Não sei se isso aconteceu com todos que leram esta obra prima, mas eu fiquei tão envolvida, tão emocionada e tão… Sei lá, perturbada ao mesmo tempo. Perturbada porque isso de fato aconteceu com a família Frank e afins. Além do mais, você fica tão envolvido com os personagens, tão envolvido pelo acontecimento que começa a pesquisar mais a respeito sobre a 2ª Guerra. Ainda não consigo entender o porquê de toda aquela atrocidade contra judeus e outras vítimas (ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, pessoas contrárias ao governo, negros, etc). Gente, NÃO tem justificativa alguma. E pensar que existiram não sei quantas Annes Frank que passaram pelo mesmo, e até mesmo situações piores.

O mundo tá todo errado desde os primórdios. Me entristece só de pensar que em outros lugares do mundo ainda estão em guerra, que pessoas sofrem perseguição por suas crenças, classe social, orientação sexual e tudo mais.

Outra coisa também que quase não aparece no arquivo histórico: Os abusos sexuais durante o Holocausto. Quase não se fala sobre isso pois a maioria das vítimas eram assassinadas. E claro, muitas tinham vergonha e/ou medo de perseguições. Bom, não vou falar muito senão esse post vai ficar enorme. Você pode conferir mais a respeito clicando aqui.

ONDE isso tudo vai parar? Aliás, quando vai parar?

Muito me admirou a escrita, o posicionamento e amadurecimento da pequena Anne Frank. Uma menina que teve que amadurecer 10 anos em apenas 2. Que apesar de ter ficado enclausurada durante 2 anos naquele Anexo Secreto, teve muita história pra contar e muito estudou. Muitos têm o mundo à sua disposição mas não fez nem 1/3 do que a pequena Anne fez. Apesar de ter vivido até os 15, deixou sua experiência de vida e sua história para todos. Anne Frank, apesar de ter ido embora cedo, ficou na história pra sempre.

Aqui vai um trecho do livro que mais gostei e me identifiquei:

“[…] Acho estranho os adultos discutirem tão facilmente e com tanta frequência sobre coisas tão mesquinhas. Até agora eu achava que birra era uma coisa de criança e que a gente superava quando crescia. Claro que algumas vezes há motivo para uma discussão de verdade, mas os bate-bocas que acontecem aqui não passam de teimosia. […]”

– O Diário de Anne Frank –

 

E depois dizem que criança não sabe das coisas hein? Ela tinha 13 anos quando escreveu o texto acima.

 

 

E tudo deve ser postado no Instagram…

A comida que comeu
O lugar onde está
A bebida que bebeu
A roupa que está usando
O smartphone de frente pro espelho
O resultado de meses de academia
O tablet
O fim de semana na praia ou na piscina
O filme que está assistindo em casa
O livro que está lendo
O cardápio do restaurante
O casamento da prima
As respostas do ENEM
As anotações no quadro negro daquela aula chata
O tédio na aula também
A cor do esmalte
O animalzinho de estimação
O bebê que nasceu, que chorou, que aprendeu a falar
O carro novo que comprou
O apartamento financiado
O novo corte de cabelo
A nova tatuagem
A comida que a vó fez no domingo
O copo de café da segunda-feira
A gorfada que deu
O soro que tomou no hospital
A bosta que cagou
O peido que deu

[…]