Pequenas violências, grandes desamores

Era segunda-feira, meio dia. Estava eu, indo almoçar em um restaurante por quilo, como qualquer outro dia normal. Percebo uma garota na minha frente, meio aflita, ao celular. Aparentemente estava tendo uma DR com seu namorado, peguete, ficante ou sei lá o que. Mas era mais umas dessas briguinhas idiotas, sem motivo algum. Coisa de “machão” que quer demonstrar que manda em alguma coisa, sabe?

Estava ela, tentando justificar que não fez nada do que ele estava pensando. Eu como obversadora, percebi que eles estavam discutindo por causa de Facebook. Desde os tempos de Orkut eu acho uma coisa ABSURDA discutir por acontecimentos em redes sociais. Eu só ouvia a garota dizendo com a voz mais suave e doce do mundo “mas eu não adicionei ele! Você viu os amigos em comum que tenho com ele? Eu não fiz nada! Pra que você tá falando desse jeito comigo? Não precisa falar assim, tô falando normal com você”. Nossa, aquilo foi uma tortura para os meus ouvidos. Eu juro que se ela fosse pelo menos uma conhecida, eu diria: MINHA FILHA, TERMINA COM ESSE BABACA! DESLIGA ESSE TELEFONE! VÁ ALMOÇAR EM PAZ, PLEASE.

E a coitada ficou lá, dando justificativas de algo que ela não fez, e mesmo se tivesse feito, não era necessário tanto auê. Uma hora a ligação caiu (ou alguém desligou, sei lá). Daí ela ligou novamente pra ele e foi logo se justificando: “Mas não fui eu que desliguei!!”. Gente, na boa. Que embrulho no estômago, que cara irritante, eu estava nervosa por ela, imagine se eu estivesse no lugar dela. Ela quase não pegou comida, almoçou pouco. O horário de almoço precioso que ela tinha para descansar no meio de um dia exausto de trabalho, estava lá, passando nervoso com um otário por causa de Facebook.

No dia seguinte, voltei a almoçar no mesmo local. E lá estava ela, novamente. Aflita pelo celular, novamente. Conversando com aquele mala, novamente. Dando justificativas de algo que não precisava, NOVAMENTE.

Dessa vez estava com mais duas amigas. Acabei sentando perto delas, por coincidência. Uma hora ela finalmente desligou o celular e disse: “Ah meu, eu vou terminar! Que cara chato! Brigando comigo por causa de Facebook!”. Pensei comigo: “É isso aí garota! Assim que se fala!”. Ao ser questionada por uma das amigas se alguém mandou algo pra ela no Facebook, ela respondeu: “Ah, é que eu adicionei umas pessoas que eu não conhecia, e uma dessas pessoas curtiu uma foto minha, e ele tá desde ontem discutindo comigo por causa disso”.

OI??? Por causa de uma curtida em uma foto??? O pior de tudo é que, enquanto ela estava almoçando com as amigas, o mala ligou umas TRÊS vezes, mesmo ela dizendo que queria almoçar. Ah não gente, pra mim já deu. Quando eu pensava que a menina estava em seu perfeito juízo, ela me solta: “Eu falei pra ele que esse negócio de Facebook não dá certo, eu falei pra nós desativarmos, mas ele não quis porque disse que tinha os amigos dele lá, é porque aí tem né”. NÃO, NÃO, NÃÃÃÃÃÃÃO!

Gente, quem disse que redes sociais acabam com relacionamento? O que acaba com um relacionamento é o CIÚMES, insegurança, desconfiança. Não põe a culpa no coitado do Facebook. Mark Zuckerberg não criou o Facebook pensando “vou destruir relacionamentos muahahaha”. O Facebook não tem culpa se você ou o seu companheiro(a) é neurótico, doido e perturbado.

Em uma das trocentas ligações que ele fez a ela, a ouvi dizendo: “Você está me ameaçando, é isso? Beleza então!”. HAHAHAHA, é pra rir. Todo esse alarde por causa de uma CURTIDA em uma foto? OMG.

Minhas queridas, e meus queridos. Se a pessoa com quem você está se relacionando começa a te questionar, brigar por motivos imbecis, te proibir de ir em tal lugar, brigar por causa de suas amizades, pela sua roupa, pelos lugares que você esteve, pedindo senha de tudo o que é seu, CAIA FORA. Isso não é amor, é violência! Relacionamento não é prisão. É companheirismo, cumplicidade e, acima de tudo, CONFIANÇA.

Bom, essa é minha vida para vocês, queridxs, se tocarem pra saber onde estão se metendo. A culpa não é sua, não é do seu Facebook. É essa violência, esse sentimento de posse, de achar que é dono de alguém. ISSO NÃO É RELACIONAMENTO.

E ponto final.

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